.
ei, você,
da pele morena
venha cá
me dê um afago
que juntos
podemos
um tanto assim
de tudo.
.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
NEM-UM
.
(...)
Caio Fernando Abreu - Dama da Noite.
.
(...) Estar fora da roda é não segurar nenhuma, não querer nada. Feito eu: não seguro picas, não quero ninguém. Nem você. Quero não, boy. Se eu quiser, posso ter. Afinal, trata-se apenas de um cheque a menos no talão, mais barato que um par de sapatos. Mas eu quero mais é aquilo que não posso comprar. Nem é você que eu espero, já te falei. Aquele um vai entrar um dia talvez por essa mesma porta, sem avisar. Diferente dessa gente toda vestida de preto, com cabelo arrepiadinho. Se quiser eu piro, e imagino ele de capa de gabardine, chapéu molhado, barba de dois dias, cigarro no canto da boca, bem noir. Mas isso é filme, ele não. Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, enconstar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. É por ele que eu venho aqui, boy, quase toda noite. Não por você, por outros como você. Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro O Verdadeiro Amor. Cuidado comigo: um dia encontro.
(...)
Caio Fernando Abreu - Dama da Noite.
.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Part-ida
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#1
Ela era bem pequena, devia ter algumas poucas voltas em torno do sol. Devia ter visto algumas primaveras, apenas. Mas já tinha de personalidade um bocado. Até sua mãe dizia "Você sempre foi muito é atrevida...", com um tom bem risonho.
Eis que seu pai, com um caloroso amor, profundo sentimento pela criança, pela vontade de dar-lhe o melhor. O melhor de tudo. Desde o mais abstrato, até o concreto mais valioso. Sempre fez o que podia, e o que não podia, até mesmo suportar suas malcriações.
Eis que ele, com o mais perfeito sentimento do universo, encontrou uma boneca. Uma boneca que tinha cabeça de porcelana. E percebeu que aquela boneca deveria estar exatamente nas mãos de sua querida pequena. Tão logo ele a tomou, e a levou para casa, em palpitantes pulsações de emoção.
Sentindo que fazia o melhor, deu-a à sua menina, sentindo-se o super-herói, o melhor pai do mundo. Mas... Uma tragédia cômica acometeu aquele lar tão harmonioso. Ao chegar da rua, como dizem os mais antigos, encontra o pai sua filhinha amada divertindo-se enfurecidamente com seu novo presente: o que era de porcelana, tornou-se lembrança. Como toda criança, ela, ao adorar o brinquedo, levou-lhe ao chão com toda a convicção que se poderia ter, sentindo-se a mais poderosa também do universo, tal como sentira seu orgulhoso pai.
Eis que existia uma boneca, que já não tinha mais cabeça, que já não mais existia por completo. Eis que seu amoroso pai compreendeu: era uma boneca de porcelana, e ela, um bebê que ainda iria crescer e entender que na vida existem brinquedos e brinquedos.
.
#2
Bateu-lhe a porta de forma estranha. Disse que precisava de abrigo. E não se demorou nem o suficiente pra gravar-lhe a fronte. Apenas acertou tudo e foi-se, como quem pede uma informação no ponto de ônibus e de repente já está do outro lado da rua tomando outro ônibus.
Bateu-lhe novamente, desta vez com a mala e a cuia. Até acostumarem-se com a convivência e compreenderem-se mutuamente. Até que batem-lhe a porta, e ela também surge à procura de abrigo. Logo, tão logo, surge uma nova residência, um novo lar, uma nova família.
E está criado o laço. Agora já se enxergam, já se compartilham, já se sentem.
(...)
"Daniel e Luciana,
Em espanhol 'hogar' (lar) vem de 'hoguera' (fogueira) já que era em volta da fogueira que as pessoas pertencentes às antigas tribos se reuniam.
Aqui, em São Paulo, esse lugarzinho se tornou minha fogueira, meu lar, e vocês as pessoas que fazem parte da minha tribo (família!?) e que sou muito grato por tê-los.
Adiós, qualquer dia eu bato nessa porta de novo.
Michell, 05/10/10"
Após a retomada de fôlego, contrapartiram-se:
"Michell,
O brilho da fogueira nos chegou nesta madrugada, quando casualmente eu arrumava a mesa do centro. Suas palavras gentis haviam se escondido e essa ausência por esses séculos todos desde que você partiu, nos fez partilhar ligeiras más impressões a seu respeito. Sim, dizíamos (que ironia!) de sua insensibilidade exatamente por não nos deixar uma carta como a que ora lemos. Marcelo e Jordana também estavam na ocasião do achado do tesouro e isso foi tema por algum tempo. Sofremos, pois, agora do remorso comum a essas situações: a acusação a inocentes. A carta foi acolhida com muito encanto e prazer.
Esperamos que você esteja bem, muito bem, mas que não deixe de sentir uma pontinha de saudade dos que aqui, desta tribo distante, pensam em você.
Grandessíssimo abraço carinhoso,
Daniel/Luciana
P.S.: "How many roads must man walk down before you call him a man..." (Bob Dylan)".
(...)
"Daniel e Luciana,
Pois é, a mesa de centro escondia a carta!
Mesa de centro que sempre se fez silenciosa durante nossas partilhas
guardadas na madrugada.
Mesa de centro que está ao centro!
Mesa de centro de madeira!
Dura e muda.
Mesa de centro que se fez fogueira!
Tenham certeza que todos estão em lembranças que se fazem saudades
dentro de um cara insensivelmente sensível.
"Há braços" para todos!
A luz de uma fogueira,
Michell"
"Daniel e Luciana,
Pois é, a mesa de centro escondia a carta!
Mesa de centro que sempre se fez silenciosa durante nossas partilhas
guardadas na madrugada.
Mesa de centro que está ao centro!
Mesa de centro de madeira!
Dura e muda.
Mesa de centro que se fez fogueira!
Tenham certeza que todos estão em lembranças que se fazem saudades
dentro de um cara insensivelmente sensível.
"Há braços" para todos!
A luz de uma fogueira,
Michell"
(...)
Um candieiro envolve esse lar, cheio de misticismo, de sonhos, de papos intelectuais, de sentimentos, e de todo o infinito. E assim entende-se que ser um ser humano, é ser humano.
.
#3
Num dia de chuva
Com sentimentos aflorados
Elas três saem
Após pensarem o mundo
De dentro e de fora
Saem pelo mundo afora
E se encontram
As três
Em comum sentimento.
Neste momento
Afloram
Todos os sentimentos
Devassos e puros
E sentem
E,
Ao som do mundo
Ao gosto de sorvete
De pétalas de rosa
Brindam
À vida que está por vir
Ao que querem
E ao tão infinito
Quanto ele mesmo.
O próprio amor.
.
#4
Em uma tribo distante
Há pessoas que acreditam
Que quando a gente morre
Vira espírito
E,
Após enfrentar grandiosos obstáculos
Em sua jornada
Mesmo em morte
Pois, ainda assim, o caminho distante
É intemperizado,
Lá,
Logo lá na frente
A gente encontra
Bem lá na frente
O arco-íris.
E,
Na certeza da paz
Em morte
E do descanso para todo ó além
A gente atravessa-o
Lá,
Onde a gente encontra
O arco-íris.
(...)
.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
SÓ
.
eu só queria te contar
que eu fui lá fora
e vi dois sóis num dia
e a vida que ardia
sem explicação
não tem...
¹ (N. R.)
.
eu só queria te contar
que eu fui lá fora
e vi dois sóis num dia
e a vida que ardia
sem explicação
não tem...
¹ (N. R.)
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domingo, 15 de agosto de 2010
Inteireza
.
teu olhar
me perfura.
ouço músicas lá fora
mas só tu me vens.
à noite há silêncio
e está frio;
muito frio.
queria-te a me aquecer.
meu coração
assim como o vento
está infernalmente gélido.
teu olhar perfurante
aquecería-me
tal como outrora o fizeste.
.
teu olhar
me perfura.
ouço músicas lá fora
mas só tu me vens.
à noite há silêncio
e está frio;
muito frio.
queria-te a me aquecer.
meu coração
assim como o vento
está infernalmente gélido.
teu olhar perfurante
aquecería-me
tal como outrora o fizeste.
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Que há;
.
Algo me acontece
E eu não percebi.
Melhor: percebi e ignorei.
Onde andarão meus poemas melosos de amor?
Que fazem os sentimentos perdidos no meu espaço incompreendido?
Que tenho feito?
Que tenho buscado?
Eis que o vejo.
Ele.
Outro ele?
Sim.
Outro ele, porque assim como ele, infinitos eles existem.
Existe o ele mar. Existe o ele Sol.
Existe o ele tempo, e existe o ele fogo.
Existe o ele espaço, existe o ele infinito.
Existem os eles que dispenso.
E todos eles me enxergam; porém nem todos.
Perdi o senso, a sensibilidade;
Deixei escapar a dor e a tristeza;
Deixei partir o incrível e o absurdo;
Perdi a ternura de sentir o vento.
Perdi? Ora ora. Creio que não definitivamente.
Não sei o que houve, porque houve muito e eu não vi.
Mas acho que senti, porque tudo me fez o que digo agora.
E tudo o que digo vem de um infinito extremamente particular,
mas que se abre espontaneamente a qualquer um que o toque;
como naquelas plantas que não sei o nome.
Droga, errei de novo.
Elas não se abrem ao serem tocadas.
Ao contrário, contraem-se como um bebê
que acabara de nascer e tem medo de tudo o que é externo,
embora o externo lhe provoque o interno desconhecido.
Deus. Que faço aqui?
Eu o descobri, era noite de lua cheia,
como em todas as noites enluaradamente cheias
que me provocam tais sentimentos desconexos.
Não, não me refiro à Teologia não.
Não encontrei nenhuma religiosidade não.
Eu apenas descobri uma coisa.
Descobri várias coisas, mas não consigo decifrá-las
em meio às sensações que elas me causam.
Afago. E um carinho na fronte.
Uma lua cheia, o caminho inteiro à frente,
morros e mares bem depois dos mares de morros.
Ahh, como é bom sentir esse ardidozinho na linha central de meu ser.
Essa sensação que não se descreve, que alguns chamam de catarse.
Pensei, pensei que a havia de vez perdido.
O mundo é um mundo estranho, que se se permitir, ele te engole.
Ele te devora. Ele te adentra, te viola e te inibe de tuas sensações.
Mas estou salva, pois estou sentindo!
Descobri! Descobri que posso resgatar o que achava que antes não sentia!
E descobri isso ao vê-lo.
Ora, por que crio definições exageradas de coisas que desconheço?
Ora, por quê?
Ele disse e não disse.
E tudo o que disse e que não disse me causa emoção.
Aqui eu crio uma nova forma,
aqui proponho meus pensamentos e sentimentos,
aqui pretendo dizer.
Tudo o que quero;
Quero sentir
Quero resgatar o que existiu
Quero viver o que virá
Quero que venha.
Quero buscar
Quero fazer
Quero dizer;
Quero viver.
.
Algo me acontece
E eu não percebi.
Melhor: percebi e ignorei.
Onde andarão meus poemas melosos de amor?
Que fazem os sentimentos perdidos no meu espaço incompreendido?
Que tenho feito?
Que tenho buscado?
Eis que o vejo.
Ele.
Outro ele?
Sim.
Outro ele, porque assim como ele, infinitos eles existem.
Existe o ele mar. Existe o ele Sol.
Existe o ele tempo, e existe o ele fogo.
Existe o ele espaço, existe o ele infinito.
Existem os eles que dispenso.
E todos eles me enxergam; porém nem todos.
Perdi o senso, a sensibilidade;
Deixei escapar a dor e a tristeza;
Deixei partir o incrível e o absurdo;
Perdi a ternura de sentir o vento.
Perdi? Ora ora. Creio que não definitivamente.
Não sei o que houve, porque houve muito e eu não vi.
Mas acho que senti, porque tudo me fez o que digo agora.
E tudo o que digo vem de um infinito extremamente particular,
mas que se abre espontaneamente a qualquer um que o toque;
como naquelas plantas que não sei o nome.
Droga, errei de novo.
Elas não se abrem ao serem tocadas.
Ao contrário, contraem-se como um bebê
que acabara de nascer e tem medo de tudo o que é externo,
embora o externo lhe provoque o interno desconhecido.
Deus. Que faço aqui?
Eu o descobri, era noite de lua cheia,
como em todas as noites enluaradamente cheias
que me provocam tais sentimentos desconexos.
Não, não me refiro à Teologia não.
Não encontrei nenhuma religiosidade não.
Eu apenas descobri uma coisa.
Descobri várias coisas, mas não consigo decifrá-las
em meio às sensações que elas me causam.
Afago. E um carinho na fronte.
Uma lua cheia, o caminho inteiro à frente,
morros e mares bem depois dos mares de morros.
Ahh, como é bom sentir esse ardidozinho na linha central de meu ser.
Essa sensação que não se descreve, que alguns chamam de catarse.
Pensei, pensei que a havia de vez perdido.
O mundo é um mundo estranho, que se se permitir, ele te engole.
Ele te devora. Ele te adentra, te viola e te inibe de tuas sensações.
Mas estou salva, pois estou sentindo!
Descobri! Descobri que posso resgatar o que achava que antes não sentia!
E descobri isso ao vê-lo.
Ora, por que crio definições exageradas de coisas que desconheço?
Ora, por quê?
Ele disse e não disse.
E tudo o que disse e que não disse me causa emoção.
Aqui eu crio uma nova forma,
aqui proponho meus pensamentos e sentimentos,
aqui pretendo dizer.
Tudo o que quero;
Quero sentir
Quero resgatar o que existiu
Quero viver o que virá
Quero que venha.
Quero buscar
Quero fazer
Quero dizer;
Quero viver.
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domingo, 27 de junho de 2010
Carinhosa-mente
.
O sol já vai entrando
Vai deixando a claridade e a luz
Vou remando minha canoa
Lá pro poço do pesqueiro
Vou descendo rio abaixo
Numa canoa furada
Ô Beira Mar, adeus Dona
Adeus Riacho de Areia
Arriscando minha vida
Numa coisinha de nada
Adeus, adeus,
Boa viagem
Eu já vou m'embora
Eu morava no fundo d'água
Não sei quando eu voltarei
Eu sou canoeiro
Rio abaixo, rio acima
Tudo isso eu já andei
Eu não moro mais aqui
Um dia eu fui passear
O meu coração ficou
Quem morava dentro dele
Partiu, fechou, tirou a chave, levou
Beira mar, beira mar novo
Foi só eu é que cantei
Canário amarelo que sabe dobrar
Eu também sou canário
Eu também sei cantar
Levantei o bastão
Deixa a fita avoar
Vamos na mais pura macieza
Vamos na maior delicadeza
.
notas:
1. milton nascimento
2. consuelo de paula
3. (...)
.
O sol já vai entrando
Vai deixando a claridade e a luz
Vou remando minha canoa
Lá pro poço do pesqueiro
Vou descendo rio abaixo
Numa canoa furada
Ô Beira Mar, adeus Dona
Adeus Riacho de Areia
Arriscando minha vida
Numa coisinha de nada
Adeus, adeus,
Boa viagem
Eu já vou m'embora
Eu morava no fundo d'água
Não sei quando eu voltarei
Eu sou canoeiro
Rio abaixo, rio acima
Tudo isso eu já andei
Eu não moro mais aqui
Um dia eu fui passear
O meu coração ficou
Quem morava dentro dele
Partiu, fechou, tirou a chave, levou
Beira mar, beira mar novo
Foi só eu é que cantei
Canário amarelo que sabe dobrar
Eu também sou canário
Eu também sei cantar
Levantei o bastão
Deixa a fita avoar
Vamos na mais pura macieza
Vamos na maior delicadeza
.
notas:
1. milton nascimento
2. consuelo de paula
3. (...)
.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Canto-ria
.
não quero saber o que tu dizes
quero só escutar o som da viola
a toada do tambor
o chacoalho do pandeiro
pular noite adentro
e sambar com meu amor.
.
não quero saber o que tu dizes
quero só escutar o som da viola
a toada do tambor
o chacoalho do pandeiro
pular noite adentro
e sambar com meu amor.
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sábado, 29 de maio de 2010
Cadente
.
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade
está um pouco usado, meio calejado,
muito machucado e que teima
em alimentar sonhos, e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado,
coração que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu:
"não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
isso é que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece,
e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,
sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida
que vive procurando relações
e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo
em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que,
abre sorrisos tão largos
que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado por quem
gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado
indicado apenas para quem
quer viver intensamente e,
contra indicado para os que apenas
pretendem passar pela vida
matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro
na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir, eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer
e se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração,
ou mesmo troca-se por outro
que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito
que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que,
ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar
ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário
a publicar seus segredos e, a ter a petulância
de se aventurar como poeta.
(autor desconhecido)
.
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade
está um pouco usado, meio calejado,
muito machucado e que teima
em alimentar sonhos, e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente
que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado,
coração que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu:
"não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
isso é que eu espero...".
Um idealista...
Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece,
e mantém sempre viva a esperança de ser feliz,
sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida
que vive procurando relações
e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo
em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que,
abre sorrisos tão largos
que quase dá pra engolir as orelhas,
mas que também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado por quem
gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado
indicado apenas para quem
quer viver intensamente e,
contra indicado para os que apenas
pretendem passar pela vida
matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro
na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir, eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer
e se recusa a envelhecer".
Rifa-se um coração,
ou mesmo troca-se por outro
que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito
que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que,
ainda não foi adotado, provavelmente,
por se recusar a cultivar
ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário
a publicar seus segredos e, a ter a petulância
de se aventurar como poeta.
(autor desconhecido)
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
Saber o sabor
.
Fogo que não para
De queimar o coração
Vontade de estar
Sem qualquer preocupação
Só pra ver o sol morrer atras do morro
Ver que sua ausência
Vai mudando a cor do céu
Perceber que a noite vai chegando
Quem disse que o tempo tem que ter utilidade
Tempo não é algo que se compra ou se produz
Está dentro de nós, da nossa vontade
Viver só vale a pena quando provoca saudade
De querer fazer de novo só porque é bom
(Refrão)
Sempre que puder
Vou querer saber o sabor
Do que é bom na vida
Ter prazer ou dor
Seja lá o prêmio que for
Eu vou querer saber o sabor
A simplicidade das coisas me seduz
O céu fica mais lindo quando falta luz
Inventar desenhos na forma de uma nuvem
Olhar a noite inteira a lua passear no ceu
Até não se dar conta que o tempo passou
Sempre que puder
Vou querer saber o sabor
Do que é bom na vida
Ter prazer ou dor
Seja lá o prêmio que for
(...)
Eu vou querer saber, sempre, sempre
(...)
(Biquini Cavadão)
.
Fogo que não para
De queimar o coração
Vontade de estar
Sem qualquer preocupação
Só pra ver o sol morrer atras do morro
Ver que sua ausência
Vai mudando a cor do céu
Perceber que a noite vai chegando
Quem disse que o tempo tem que ter utilidade
Tempo não é algo que se compra ou se produz
Está dentro de nós, da nossa vontade
Viver só vale a pena quando provoca saudade
De querer fazer de novo só porque é bom
(Refrão)
Sempre que puder
Vou querer saber o sabor
Do que é bom na vida
Ter prazer ou dor
Seja lá o prêmio que for
Eu vou querer saber o sabor
A simplicidade das coisas me seduz
O céu fica mais lindo quando falta luz
Inventar desenhos na forma de uma nuvem
Olhar a noite inteira a lua passear no ceu
Até não se dar conta que o tempo passou
Sempre que puder
Vou querer saber o sabor
Do que é bom na vida
Ter prazer ou dor
Seja lá o prêmio que for
(...)
Eu vou querer saber, sempre, sempre
(...)
(Biquini Cavadão)
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