quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Sobre o cotidiano.

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A batalha é cotidiana. A vida é breve mas a existência é infinita. Para o amor, para o ser, para o universo... A vida é muito, é mais, mas voa. Por isso é preciso buscar o essencial... Que aos olhos é invisível. Por isso só se vive plenamente se esses forem os olhos do coração. Este é o mais importante...

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Sobre o sofrimento.

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Dos quatro sofrimentos (nascimento, velhice, doença e morte), conforme a doutrina budista, que assolam a existência humana, a doença talvez, talvez, seja a mais cruel... Talvez, porém, não haja hierarquia, talvez o peso seja diferenciado e respectivo para cada situação vivida. Mas nesse momento, a doença pesa de um modo cruel. É doloroso tanto com a gente, quanto com quem a gente ama e não quer perder, assim é dolorosa a enfermidade do corpo. Mas como bem disse Nitiren Daishonin, o carma poderá ser transformado se não nessa, na próxima existência sem dúvida nenhuma. Basta compreender que a natureza do ser humano consiste na transformação desses sofrimentos com base na fé.

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segunda-feira, 1 de junho de 2015

Dia dx geógrafx

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Há dez anos eu escolhi a Geografia como aquele caminho pelo qual eu seguiria por toda a vida. Caminho que eu só descobri como se andaria nele andando nele. Há dez anos eu passei a entender que sensibilidade com o mundo no qual estamos inseridos é muito mais importante do que meros "objetos de estudo". Foi esse campo do conhecimento que me trouxe tantas lentes de observação do mundo, e que me permite até hoje me enxergar como ser humano. A Geografia é linda. Existe amor na Geografia. E eu descobri que posso ser muito mais do que eu achava que podia, pois todos os limites da minha existência puderam ser rompidos até agora justamente porque decidi sair da minha zona de conforto e me lançar para o mundo. Tenho gratidão a tudo o que vivi até hoje por ter tido a coragem de escolher essa área de atuação. Sou afortunada por tudo o que sou hoje. Mas, mais ainda, a Geografia me permite entender que isso tudo não se encerra aqui, e para cada desafio concretizado, existem outros duzentos mais. E é de onde estou que eu me lanço. Viva a Geografia. Parabéns geógrafos, professores de Geografia e todos os profissionais que têm, de algum modo, na Geografia a sua forma de inserção enquanto ser humano nesse mundo.‪#‎29deMaioÉdiaDxGeógrafx‬

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Earthquake

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Na mesma semana eu assisti ao documentário "Sal da Terra" e ao filme "Terremoto". O primeiro traz a a história do grande fotógrafo Sebastião Salgado que, durante a maior parte de sua vida, dedicou-se a registrar vários povos, conflitos, culturas, situações precárias de trabalho, migrações forçadas, a morte na sua pior forma, na sua perversidade e crueldade. Também fotografou a vida, a natureza, as diversas espécies de animais e plantas, e os povos na sua essência da relação de seres humanos com a floresta, com a própria vida. O segundo, sendo uma produção hollywoodiana, com todos os seus exageros, sua seletividade social, racial, étnica, com o emprego de toda a ideologia estadunidense em cima de uma possível catástrofe que vitimiza um país que, na realidade, sabemos que é um dos responsáveis por tanta miséria, exploração e sofrimento no terceiro mundo, no Oriente Médio, na América Latina, também não deixa de "mostrar" efeitos de uma catástrofe ou um "desastre natural". Coloco alguns termos entre aspas porque ambos os filmes me fizeram pensar sobre nosso atual modo de vida. Me fazem pensar sobre o quanto é contraditório esse modo de vida e que, mesmo que nos sensibilizemos com tais imagens, não há nada a ser feito a não ser mudar tudo. Com as chocantes denúncias de Sebastião Salgado, através de suas fotografias, de guerras, do quanto o sistema do Capital destrói a humanidade, eu chorei. Chorei quase que como uma criança, com direito a bico. Com as cenas da destruição gigantesca e continental por um terremoto seguido de tsunami na região da Califórnia e da costa oeste dos EUA, e todos os incríveis exageros que uma produção de Hollywood pode conter, eu ri. Eu ri o filme inteiro. Toda a população morreu, menos a super família tradicional, branca de classe média cujo patriarca se utilizou de toda a estrutura do Estado para salvar. Porém, ambos possuem um ponto de convergência... Estamos fadados à morte. Por mais pessimista que possa parecer o meu posicionamento, penso que a vida humana precisa de mudanças estruturais. Quando eu falava de "fazermos a revolução" para meus alunos, não me referia a revoluções como as do século 17 ou 18 ou 19 ou 20. Mas é necessária uma outra revolução... Estrutural... Do modo de consumo... Do modo de produção... Do modo de vida... Do modo de se reconhecer enquanto ser humano num mundo que a gente mesmo está implodindo/explodindo. Sequer me refiro a correntes de "ecocapitalismo" porque para mim, na minha leitura, essa também não é a saída porque reforça o capitalismo predatório, imperialista, excludente, opressor, assassino de povos e nações.... Eu não sei qual é a saída. Apenas entendo que é preciso resistir e prosseguir, e uma "revolução" é necessária.

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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Sereia da beira do mar

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Vim da beira do mar
Madeira já tinha ficado
Não, nunca se foi...
Madeira é o meu rio

Vim da beira do mar
Saí do Madeira
E busquei outros rios
Até mares

Passei pelo Tietê
Pelo Ipiranga
Pelo Pinheiros e Tamanduateí
Até no Vale do Anhangabaú
Quase me perdi

Mas lá, no mar, te encontrei
Subi e desci morros, florestas
Nadei e nadei
Contigo.

Encontrei rios
E aquele mar

Janeiro de tantos rios
Rios salobros
O sal na pele
Havia você

Vim da beira do mar
Da beira do Madeira
Desaguei no mar
Naquele Rio de tantos medos
De tantas milhas
De tantos sonhos

De lá saí
Vim daquele rio
Vim da beira do mar
Para encontrar o Guamá
E o Guajará

No Guamá
Meu sonho se refaz
Rio que vira mar
Mar que vira rio

Meu Madeira e meu mar
Hoje juntos
No meu Guamá e meu Guajará

Mesma água, mesma pedra
Mesmo sal,
Mesma fonte, mesma foz...
Dentro do meu coração

Rio-mar, me traz meu coração
Que naquele Rio ficou
E me faça re-mar
Me faça a-mar.

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Alguma coisa sobre o tempo


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Nos últimos tempos eu tenho refletido sobre muitas questões em relação às pessoas, e sobre mim. E, observando de modo mais crítico e de uma maneira mais sensível as situações do cotidiano, vem à minha mente um conselho que jamais eu devia ter desperdiçado, tanto dado pela minha mãe quanto pelo meu pai. Esse conselho me veio à mente, sobretudo depois de pensar muito sobre coisas que eu queria muito. Em certas vezes me deparei com situações em que eu precisava abrir mão do que era mais importante para mim naquele determinado momento. Em certas vezes eu quase abri mão de tudo o que era importante para ter aquilo que, na realidade, não era tão importante assim. Hoje, depois de tantas situações, cotidianas, inclusive, pude entender o conselho que meus pais sempre me deram. Eis o conselho: "Filha, não tenha pressa". Depois de tantas situações, entendo perfeitamente que meus pais, ao falarem isto sempre para mim, queriam que eu entendesse o real significado do tempo... O mundo gira e nossas vidas giram de modo igual. Passa o tempo e, de repente, estamos no mesmo lugar. Passa o tempo e vemos que aquilo para o que dávamos tanta importância hoje já não faz a menor diferença. Passa o tempo, e as pessoas passam por nossas vidas, como oportunidades são perdidas também. Então vem aquela velha e cruel pergunta: "E se...". E se eu tivesse ficado mais um pouco? E se eu não tivesse feito tal coisa? E se eu tivesse dito não ou se tivesse dito sim? E se eu seguisse aquele caminho? Sim eu devia ter ido por aquele caminho... E se eu tivesse tentado? Sinais de amadurecimento. Esses sinais percebemos quando as falas dos nossos pais, tão preocupados com a gente, começam a fazer todo o sentido. De fato, eles sempre têm razão... "Filha, não precisa ter pressa. Tudo ocorre naturalmente e ao seu tempo...". Eis que a vida, na marra, me mostra que pessoas para quem damos tanta importância por tanto tempo jamais realmente se importaram com a gente. Sinais de amadurecimento são quando a gente passa a não sentir mais o peito carregado de dor e de rancor, de mágoa... Quando a gente olha para trás e, no máximo, o que sentimos é pena. Sinais de amadurecimento são quando percebemos que o que realmente é importante para a gente está ali, nas nossas mãos, do nosso lado, não nos fere, não nos abandona, não nos esquece, não nos maltrata. É quando aquilo que o pai e mãe sempre disseram soa como o bem mais valioso que você pode levar para a sua vida, mais que qualquer diploma ou posição social. Apesar disso, não se pode dizer que os mesmos erros não serão cometidos em outros momentos... No entanto, não ter pressa e reconhecer-se como um grão de areia no universo infinito, dentro de um mundo que gira, gira, gira, e tudo o que acontece é somente o envelhecimento de nossas células, já é o primeiro passo para entender o tempo - o mais fantástico dos deuses. Por ter tido pressa, percebi que deixei caminhos para trás. E, hoje, compreendendo o que é não me apressar, eu vejo que esses caminhos existem ainda, eles estão no mesmo lugar. E hoje, tudo o que sinto é gratidão por todos os caminhos, coisas e pessoas que essa vida me trouxe. Mas gratidão maior que sinto é por finalmente poder ter começado a entender o que meus pais sempre me disseram e me dizem até hoje. Entender o que significa não ter pressa quer dizer compreender hoje que realmente certas situações para as quais dediquei tanto da minha vida, tanto do meu próprio ser, tanto do que há de mais bonito dentro de mim, simplesmente se foram, justamente porque não eram o que iria me fazer feliz. Significa compreender que é preciso amar de outra forma. Hoje eu entendo que entender o tempo é, sobretudo, entender o que é o amor. E entender o que é o amor, é, sobretudo, entender o que é a vida... E a vida é bem mais. É bem mais, definitivamente, muito mais.


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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

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tristeza, sai de mim.
hoje o sol entrou pela janela
com pequenos fogos no vento
meu coração ardeu
não de calor
é aquilo que penso
quando lembro que sinto
a falta.
hoje acordei com a luz
do sol na janela
era dia
que me disse que queria
entrar no meu coração
anoitecido.
hoje senti
senti como nunca se senti
há algum tempo
em poucas frações do espectro
aquela dor da saudade.

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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

É flor do mar

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e quem não tem vez?
o coração não tem vez.

a cor do corpo se desfez
e correu o sangue para o mar
onde a baleia comeu o coração.

o amor matou o humano
e o humano esqueceu

amar não se aprende
na bula do remédio.

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é flor, de florescência
é flor do dia, do amanhecer
é a flor, que renasce no pau cinza
que o fogo queimou.

é ipê, lírio, flamboyant
sakura, rosa, azaleia.

é flor. flor igual do Sol.
é flor pura do coração
que ia ser comido pela baleia
mas fugiu para encontrar a flor

a flor brilha e tem cheiro
cheiro de mato
cheiro de chuva
cheiro doce.

a flor desmente
o humano que esqueceu
e aprendeu na bula

e a flor pegou na mão do Sol
chamou a Lua
que, juntos,
reinventaram o amor.

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sábado, 31 de maio de 2014

O centro de tudo no meio do submundo metropolitano de pedra

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Esse centro de São Paulo é realmente revelador. Nunca pensei que eu fosse viver nesta cidade, e, mais ainda, vivê-la como vivo. É um lugar que posso amar e odiar. E esse centro, velho com uma vida cotidiana que se renova resistindo, combatendo e aderindo. O novo e o velho. O moderno e o antigo. O antigo moderno, tudo no mesmo metro quadrado.

Há quase cinco anos, daqui três meses, me mudei para cá. Me mudei, mudei. E isso foi numa empreitada que eu não imaginava, que eu não queria. Nunca quis. Mentira. Eu quis viver o novo mundo, e eu mal esperava ter este mundo tantas contradições. E mais, que fosse me provocar tantas emoções, tanto amor e ódio.

E esse centro, diurno dos comerciantes, do proletariado, dos artistas e das dançarinas. Dos moradores de suas ruas invadidas de pessoas e outros seres, moradores invisíveis, alegóricos, que compõem o figurino, o cenário de uma vida vivida e encenada. É a metrópole que se revela, no mundo e no submundo, diurno e noturno. O submundo noturno da morte, do crime, das vielas escurecidas pelas paredes de gelo. O submundo noturno dos prazeres.

É a metrópole, a urbe, a pólis. E o seu centro, por onde jamais pensei andar, onde jamais pensei que eu fosse sobre-viver. Esse centro é revelador, é fantástico, e escroto. É o oposto de tudo, contendo tudo de tudo.

Eu vivo, há cinco anos. E a cada dia vejo uma vida submundana diferente, numa experiência cotidiana que só a coragem e a ausência do medo da selvageria de pedra podem me gerar. Não tenho medo dos monstros e entidades mundanas da urbe cotidiana. Justo eu: pura, meiga, doce, pequena, menina, santa, frágil, sensível. Nada, não. Mudei. Vi a cidade. Descobri a polis metropolitana.

Às 22:30, mais ou menos, do dia depois da abolição, saindo do trabalho, respirando o cotidiano submundano de uma gente ainda escravizada, que ainda insiste em viver, no centro de tudo.

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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Em mim, faltou.

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Faltou você
Você quem?
Não
Não faltou.
Cá estou
Vivo em mim.
O bonito
Se revela aqui
E você
Venha comigo
Somente
Quando
Se quiser.
Mas eu
Cá estou.
Em mim
Dentro daqui
Cá vivo
Acendo
E ardo.

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