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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Tá tudo bem


Às vezes correndo
Às vezes confusa
Às vezes com vontade de fazer tudo
Às vezes com vontade de me enfiar num buraco e não sair mais.
Às vezes com vontade de amar loucamente
Às vezes com vontade de desistir
Às vezes segura
Às vezes com medo

Às vezes, avesso, a vez...
Às vezes eu ando em círculos
e todas as vezes que me deparo
com o mesmo caminho
me esforço para lembrar
que tudo tem sua hora e vez

E se a vida for um emaranhado de conflitos...
Acho que eu estou bem



São Paulo, 13 de agosto de 2011

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

QUE TEMPO É ESSE?

È tempo de encontrar,
È tempo de conhecer,
È tempo de curtir,
È tempo de beijar,
È tempo de sonhar,
È tempo de olhar pra si,
È tempo de olhar pro outro,
È tempo de se perceber,
È tempo de perceber outro

Tempo... Tempo... Tempo...
de querer bem,
de querer perto,
de querer dentro,
de sentir,
de entender,
de esquecer,
de renovar
afirmar e
reafirmar
que esse é o tempo,
o melhor tempo,
o único tempo.
E quem vai direcionar o ritmo e a intensidade desse tempo somos nós!

È tempo de querer ontem,
de querer hoje,
amanhã
e depois
e depois
e depois de depois ...

*Para a luizinha verde que ilumina um pedaço do meu céu.
02-02-2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

Um pouco de Clarice...

Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.

Clarice Lispector

sábado, 6 de março de 2010

HOJE DE MANHÃ


Hoje de manhã eu vi a
Morte, ela estava no cruzamento da Teodoro Sampaio com Fradique Coutinho. Naquele momento eu assisti ao encontro da Barbárie com a Pressa.

Hoje de manhã eu vi a pressa, correndo pela Fradique Coutinho no seu carro preto. Queria ultrapassar, queria avançar, mesmo que destruísse tudo que estava a sua frente; mesmo causando a sua própria destruição.

Hoje de manhã eu vi a Humanidade. Caminhava pela Teodoro tranqüila, atravessou a Fradique sem perceber que a Pressa estava chegando.

Hoje de manhã eu vi o Desespero, dentro do lotação, anunciado pelo grito de horror. As mãos dos passageiros que cobriam o rosto. O nervosismo que tomou conta do meu corpo. As minhas pernas, que tremiam. Meu coração acelerado. Da janela observei pessoas que corriam, queriam ajudar. Então, sentada no último banco, mesmo com medo, me levantei.

Hoje de manhã eu vi a Vida, indo embora. Ela se arrastava pelo chão, presente no sangue que manchava o branco da faixa de pedestres. Foi tão rápida! Deixou os seus pertences, celular no chão, a bolsa Louis Vuitton, colares, pulseiras, o dinheiro da carteira.

Hoje de manhã eu vi a Morte, quando aquela moça atravessou na faixa de pedestre e o homem atrasado no seu carro preto ultrapassou o farol vermelho. A pancada derrubou-a, o pescoço pendeu para trás, joelhos dobrados, olhos fechados, alguém falou, Ela morreu.

E, naquele momento, enxerguei a degradação dos valores humanos. Para alguns, a vida vale pouco ou quase nada. Enxerguei naquela moça as pessoas que lutam, sonham e atravessam todos os dias na faixa da Esperança. Mas que a pressa, a cobiça, imediatismo, a irresponsabilidade atropelam todos os dias na Rua do Respeito Pelo Ser humano.

Hoje de manhã eu chorei. Vi a moça morrer.
Enxerguei que dentro dela
tinha um pouco de mim.
Dentro dela tinha um
pouco de nós e
da nossa
Espe
ran
ça.


Mafuane Oliveira
12/09/08

quarta-feira, 3 de março de 2010

O Telefonema


- Alô

- Alô

- Quem tá falando?

- Com que você quer falar?

- Ligaram no meu celular desse número quero saber quem é?

- È Marisa. Não lembro de ter feito nenhuma ligação.

-Você conhece algum Denilson? – a burra responde empolgada:

- Conheço! Ele é o meu professor!

- ...

- Alô! Alô! Porque?

- Ah, tá bom!

- Quem é?

- ...


A ligação cai. Passado dois minutos o celular volta a tocar ela reconhece o número, no mínimo a esposa ciumenta do professor transtornada querendo mais explicações a respeito da mensagem que ela havia mandado na noite anterior. O conteúdo era tosco, uma coisa vaga sobre a beleza da lua e uma saudação sincera desejando boa noite. Típico de quem procura sarna para se coçar. Se soubesse que o traste era casado, talvez tivesse acrescentado na mensagem “ Boa noite para você e sua digníssima esposa”. Mas tem cabimento uma coisa dessas?


Desde que haviam começado as aulas, o sujeito esbanjava gentilezas, mandava mensagens, escrevia e-mails, chamava para sair, dizia que suas mãos eram lindas, todo aquele chaveco furado e troca de olhares que faz a mulherada inflar, e sufocar no próprio ego.


Ela se fazia de boba, mantinha um tom de seriedade, não correspondia. O cara era interessante além de tocar muito bem, era bonito, elegante, simpático, sorriso perfeito. Em contrapartida ela estava curtindo uma dor de cotovelo, e a esperança de reatar um romance que havia terminado, antes de começar. Vivia assim sempre sonhando e desejando o abstrato. Quando o assunto era amor, paixão, flerte, paquera, sua vista ficava ainda mais míope.


Quando parecia finalmente ter aprendido a lição e resolveu aproveitar as oportunidades que a vida oferece, disse para si mesma que venha o que vier! E que venha o professor!


Veio!


Ele, a ligação histérica, o balde de água fria, a raiva, a vergonha, a irritação, o medo de nunca ser feliz, a verdade, a mentira, as dúvidas, a TPM... E toda a puta que pariu!

Que diabos esta acontecendo com o mundo? O que há de errado com os homens? E comigo? Sou para-raio de problemas? Na Era do Descompromisso, como se não bastasse eu ter que pagar pelas minhas escolhas erradas, ilusões, sonhos e expectativas não correspondidas, ainda tenho que pagar pelas escolhas erradas dos outros?

Não sabia o que era pior atender ao telefonema e escutar as especulações e barbaridades da mulher “quase traída” ou fitar o olhar de reprovação de sua mãe que observava a cena e já havia sacado tudo...

Decidiu atender o celular, mais trabalho teria em explicar toda a história para sua mãe e isso seria extremamente constrangedor, pelo menos poderia fingir que não estava escutando e desligar na cara da sujeita. Mas acabou fazendo o contrário atendeu com toda a gentileza.


- Alô!

- Quem é?

- Com quem você quer falar?

- Aqui é a esposa do Denilson! – Ela pensou em dizer: que novidade, suspeitei desde o principio! Mas continuo escutando a voz irritada do outro lado dizer.

- Eu estou te ligando para avisar que ele tem esposa, viu?


Por um segundo ela quis responder:


- Escuta aqui minha filha, se ele é seu marido, problema seu! E que problema! Porque ele não parece ser casado, viiuuu? Tenho umas mensagens dele aqui no meu celular, e tenho uns e-mails dele me chamando para sair. Se você quiser eu te mostro! Vê se cria vergonha na sua cara e resolva as coisas com seu marido! Você que tem compromisso com ele, não eu! Não vem falar merda pra mim! Você já imaginou a quantidade de mulheres que você vai ter que ligar para avisar que ele é casado? Melhor conversar com ele e parar de encher meu saco!


Mas na hora o que saiu foi:


- Ha, tá!

- E você para de ficar mandando mensagem sem graça para ele.

- Como é o seu nome?

- ...

A mal amada desliga o telefone. Ela olha para mãe calma, como se nada tivesse acontecido e pensa, que venha o que vier!


Próximo!