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Algo me acontece
E eu não percebi.
Melhor: percebi e ignorei.
Onde andarão meus poemas melosos de amor?
Que fazem os sentimentos perdidos no meu espaço incompreendido?
Que tenho feito?
Que tenho buscado?
Eis que o vejo.
Ele.
Outro ele?
Sim.
Outro ele, porque assim como ele, infinitos eles existem.
Existe o ele mar. Existe o ele Sol.
Existe o ele tempo, e existe o ele fogo.
Existe o ele espaço, existe o ele infinito.
Existem os eles que dispenso.
E todos eles me enxergam; porém nem todos.
Perdi o senso, a sensibilidade;
Deixei escapar a dor e a tristeza;
Deixei partir o incrível e o absurdo;
Perdi a ternura de sentir o vento.
Perdi? Ora ora. Creio que não definitivamente.
Não sei o que houve, porque houve muito e eu não vi.
Mas acho que senti, porque tudo me fez o que digo agora.
E tudo o que digo vem de um infinito extremamente particular,
mas que se abre espontaneamente a qualquer um que o toque;
como naquelas plantas que não sei o nome.
Droga, errei de novo.
Elas não se abrem ao serem tocadas.
Ao contrário, contraem-se como um bebê
que acabara de nascer e tem medo de tudo o que é externo,
embora o externo lhe provoque o interno desconhecido.
Deus. Que faço aqui?
Eu o descobri, era noite de lua cheia,
como em todas as noites enluaradamente cheias
que me provocam tais sentimentos desconexos.
Não, não me refiro à Teologia não.
Não encontrei nenhuma religiosidade não.
Eu apenas descobri uma coisa.
Descobri várias coisas, mas não consigo decifrá-las
em meio às sensações que elas me causam.
Afago. E um carinho na fronte.
Uma lua cheia, o caminho inteiro à frente,
morros e mares bem depois dos mares de morros.
Ahh, como é bom sentir esse ardidozinho na linha central de meu ser.
Essa sensação que não se descreve, que alguns chamam de catarse.
Pensei, pensei que a havia de vez perdido.
O mundo é um mundo estranho, que se se permitir, ele te engole.
Ele te devora. Ele te adentra, te viola e te inibe de tuas sensações.
Mas estou salva, pois estou sentindo!
Descobri! Descobri que posso resgatar o que achava que antes não sentia!
E descobri isso ao vê-lo.
Ora, por que crio definições exageradas de coisas que desconheço?
Ora, por quê?
Ele disse e não disse.
E tudo o que disse e que não disse me causa emoção.
Aqui eu crio uma nova forma,
aqui proponho meus pensamentos e sentimentos,
aqui pretendo dizer.
Tudo o que quero;
Quero sentir
Quero resgatar o que existiu
Quero viver o que virá
Quero que venha.
Quero buscar
Quero fazer
Quero dizer;
Quero viver.
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